26 de mai de 2014

REVISTAS "DIÁLOGO DAS LETRAS" E "SIGNÓTICA"

REVISTA DIÁLOGO DAS LETRAS
Publicação semestral do Grupo de Pesquisa em Produção e Ensino de Texto vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
Submissão de trabalhos com a temática "Texto / Discurso e Ensino" até o dia 30/05/14
Mais detalhes no site: http://periodicos.uern.br/index.php/dialogodasletras/about/submissions#authorGuidelines.

REVISTA SIGNÓTICA
Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás
Submissão de trabalhos na área de estudos linguísticos até dia 01/07/14
Mais informações pelo site: http://www.revistas.ufg.br/index.php/sig

19 de mai de 2014

A fórmula desenvolvimento sustentável na perspectiva da Semiótica

A dissertação em destaque é de autoria da pesquisadora Júlia Lourenço Costa, defendida em 2013 no Programa de Pós-Graduação em Semiótica e Linguística Geral da FFLCH-USP, sob orientação da Profª. Norma Discini.

Resumo: A proposta da dissertação é analisar o sintagma desenvolvimento sustentável do ponto de vista da possibilidade do diálogo teórico interdisciplinar, visando conjugar a noção de fórmula (Krieg-Planque, 2010), advinda do campo teórico da Análise do Discurso francesa, com o conceito de configuração discursiva (Courtés, 1979-1980 e Fiorin, 1990) formulado pela Semiótica greimasiana. Como fórmula, o sintagma é compreendido como conjunto discursivo, que incorpora determinado momento sócio-histórico, passando a funcionar como sintetizador de questões políticas e sociais. A fórmula remete à cristalização, sob a qual subjazem instabilidades. Como configuração discursiva, o desenvolvimento sustentável é apreendido pelas variações temáticas e figurativas, compreendidas como investimentos semânticos que oscilam entre um núcleo invariante e suas variações de realização. Observa-se então a relação entre o núcleo e as variantes discursivas que orbitam em torno dele, fazendo parte de seu funcionamento linguístico e discursivo. Dessa maneira, a noção de fórmula pode ser pensada pela configuração discursiva própria de cada ato enunciativo que dela se utiliza, os quais, cada qual a seu modo, erigem a significação pretendida. Mediante as análises feitas de cinco anúncios publicitários publicados na revista Veja, entre os anos de 1991 e 2011, e do artigo de opinião O infiel de Luiz Felipe Pondé, publicado no jornal Folha de São Paulo, pudemos depreender que, como configuração discursiva e interdiscursiva, a fórmula funciona na cenografia (Maingueneau, 2008a), enquanto espaço delimitado por uma cena genérica estável. Mas funciona principalmente como instabilidades, à qual subjaz a orientação discursiva do enunciador, apreendida no enunciado. A cenografia é o lugar da semiotização da fórmula, à medida que nesse espaço seu funcionamento instável se reveste pela validação construída na enunciação, além de revestir semanticamente a significação pretendida por meio da configuração discursiva convocada. A semântica do nível discursivo foi priorizada como lugar de observação semiótica do fenômeno fórmula, tendo em vista que por meio dos temas e figuras nela apreendidos, é possível o vislumbre de uma visão de mundo (Fiorin, 2004) compreendida enquanto formação ideológica discursivizada.

COSTA, J. L.A fórmula desenvolvimento sustentável na perspectiva da Semiótica. 2013. Dissertação (Mestrado em Semiótica e Linguística Geral) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Apresentações: "Um Brasil para se ver" e "Enunciação visual?" (26/05/2014)

O Seminário de Semiótica da Unesp (SSU), evento mensal promovido pelos grupos GPS-Unesp, GESCom e CASA, com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, terá a sua próxima edição no dia 26/05/2014 (segunda-feira), das 14h às 17h, no Anfiteatro C da FCLAr.
Nessa ocasião, haverá duas apresentações:

Um Brasil para se ver

RESUMO: Com base no princípio dialético de uma brasilidade estabelecida no entrecruzamento de olhares lançados pelo outro, para o outro, e para si mesmo, propõe-se contribuir para as discussões sobre o processo de enunciação no âmbito da linguagem visual com a leitura de cinco filmes que, entre os anos de 2003 e 2012, foram selecionados pelo Brasil para concorrerem a uma vaga na disputa ao OSCAR de melhor filme estrangeiro: Cidade de Deus (2003 e 2004), Olga (2005), Dois Filhos de Francisco (2006), Salve Geral (2010) e Tropa de Elite 2 (2012). Considerando que essa seleção visa não apenas representar para o mundo a qualidade da produção cinematográfica nacional, mas também uma imagem do próprio país, objetiva-se verificar em que medida a configuração desses textos está relacionada à criação de um sentimento de brasilidade, para tanto abordando as formas de representação de um sujeito brasileiro situado em coordenadas espaço-temporais visualmente constituídas.

Enunciação visual?
Jean Cristtus Portela (FCLAr/FAAC/Unesp)

Não é preciso fazer inscrição! Basta comparecer no horário do evento. Haverá emissão de certificado para os presentes.

Para maiores informações, acesse:
Participe!

12 de mai de 2014

LIVRO - O ponto de vista em semiótica: fundamentos teóricos e ensaio de aplicação em "A hora da estrela"

     “O ponto de vista em semiótica” apresenta o resultado de uma longa e acurada pesquisa de mestrado desenvolvida por Maria Goreti da Silva Prado (Mestre em Linguística e Língua Portuguesa e Especialista em Teorias Linguísticas e Ensino pela UNESP Araraquara).
    Nesse livro, a autora delineia o trajeto percorrido pelo conceito de ponto de vista em semiótica: do inteligível ao sensível. O trabalho de Maria Goreti apresenta os estudos iniciais que privilegiaram o enunciado e, posteriormente, a enunciação até chegar, enfim, ao conceito de campo de presença, próprio da semiótica tensiva.
     O primeiro capítulo do livro (Enunciação e ponto de vista) mostra como “a singularidade da enunciação é decorrente da escolha de um ponto de vista”. Além disso, apresenta e discute as definições dicionarizadas de ponto de vista – termo comum em diferentes áreas de estudo – a partir dos vieses enunciativo, literário e semiótico.
    No capítulo 2 (Tensividade e ponto de vista), Maria Goreti apresenta o histórico dos estudos tensivos, discorrendo sobre os conceitos de “corpo”, “paixões”, “estesia”, “presença”, “visada”, “apreensão”, “campo posicional”, “fonte”, “alvo” e “controle”. A autora parte de Semiótica das paixões para chegar à Da imperfeição apresentando, neste percurso, a necessidade evidente de expansão do projeto teórico da semiótica.
    Toda essa rica discussão teórica pode ser saboreada em um perspicaz ensaio de aplicação no livro A hora da estrela, de Clarice Lispector (capítulo 3: A construção do ponto de vista em A hora da estrela). Em um trabalho que discute “ponto de vista” subentende-se que a escolha de tal obra possa ser fortemente justificada. A narrativa de Clarice oferece dois pontos de vista que dividem a obra em duas histórias: a de Rodrigo S. M. e a de Macabéa.
     A leitura de “O ponto de vista em semiótica” é indispensável tanto para os semioticistas, especificamente, quanto para o público que se interessa pelos estudos da linguagem e do sentido. Seus leitores podem desfrutar a discussão teórica profunda e pertinente de um conceito tão presente nesse campo de estudos e, ao mesmo tempo, vislumbrar a aplicação desse conceito não apenas no “ensaio de aplicação”, mas também permeando toda a pesquisa realizada.
      O download gratuito do livro encontra-se disponível no site:

5 de mai de 2014

25ª Jornada Nacional do GELNE

25ª Jornada Nacional do Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste

O evento oferece as seguintes modalidades de participação:

Simpósios Temáticos: inscrições de 01 de maio a 08 de junho de 2014.

Comunicações orais nos Simpósios Temáticos e em Comunicação Individual e de pôsteres: inscrições de 17 de junho a 03 de agosto de 2014.

O evento ocorrerá nos dias 01 a 04 de outubro de 2014.

Local: na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Campus de Natal.

Para mais informações sobre o evento acesse o site:

12th World Congress of Semiotics

12th World Congress of Semiotics New Semiotics - Between Tradition and Innovation


O evento será promovido pela International Association for Semiotic Studies (IASS/AIS) e  pelo Southeast European Center for Semiotic Studies.

Há diversas modalidades de participação no evento. Consulte o site (abaixo) para maiores informações sobre os prazos de envio de propostas e inscrições. É necessário associar-se à IASS para participar.

O evento ocorrerá nos dias 16 a 20 de setembro de 2014.

Local: New Bulgarian University.
Sofia/Bulgaria

Para mais informações sobre o evento acesse o site:

PODCAST - "Homenagem a Eduardo Peñuela Cañizal (1933-2014)" e "Sobre a categorização social na imagem científica"

Ouça "Homenagem a Eduardo Peñuela Cañizal (1933-2014)", com Jean Cristtus Portela (FAAC/FCLAr) e Neiva Ferreira Pinto (UFJF), e "Sobre a categorização social na imagem científica", com Elizabeth Harkot-de-La-Taille (FFLCH/USP). As palestras foram realizadas no Seminário de Semiótica da Unesp em 28 de abril de 2014.


Se preferir, faça o download do áudio.

4 de mai de 2014

RESENHA - Petite sémiotique du rythme. Éléments de rythmologie - de Louis Hébert



Resenha de artigo
HÉBERT, L. Petite sémiotique du rythme. Éléments de rythmologie, Signo. Québec: Rimousk, 2011. Disponível em: http://www.signosemio.com/semiotique-du-rythme.asp.

Levi Henrique MERENCIANO
Unesp – FCL/Araraquara
Doutorado
CAPES
Semiótica do ritmo – legado saussuriano

Em Petite sémiotique du rythme, Louis Hébert vale-se das noções saussurianas do signo linguístico (em torno dos conceitos de significante e significado), a fim de desenvolver um método descritivo da expressão que descreva as diferentes semióticas por meio do significante. Nessa direção estruturalista, pensa nas possibilidades de organização rítmica das diferentes unidades de expressão. Partindo da sintagmatização de unidades significantes, Hébert menciona ser necessárias três operações para produzir ritmo:

- a segmentação em unidades;
- sua disposição;
- e a seriação dessas unidades.

Hébert vale-se de critérios de segmentação, com vistas a dispor as unidades significantes e propor recursos para seriá-las, com o intuito de observar a organização própria das diferentes semióticas – os processos de seriação de unidades de sentido.
Assim, uma unidade mínima de ritmo é obtida a partir de configurações particulares, por meio da consecução espaço/temporal de significantes, que devem ser constituídos ao menos por duas unidades, de valor idêntico (A,A) ou diferente (A,B), em ao menos duas posições em sucessão no tempo. Os fatores possíveis, a partir dos quais pode ser feita uma análise do ritmo, são: o número de posições sucessivas; o número de posições simultâneas; o número de unidades por posição sucessiva; o número de unidades suscetíveis de ocupar cada posição; o tipo de unidades implicadas; a duração das unidades.
Ao indicar possibilidades de concomitância ou serialidade de significantes, Hébert busca explicar que as semióticas podem diferir-se por meio do ritmo. O autor parte dos significantes linguísticos, dizendo que dependem de duas formas de distribuição quanto à forma da expressão: os significantes fonêmicos e os significantes grafêmicos. Diz que as duas distribuições nem sempre coincidem. Um fonema, por exemplo, pode estar associado a mais de um grafema, como o “ch” do português. Ao dar importância às características da serialidade inerente a unidades significantes, faz distinção entre a realização das semióticas, articulando os tipos de consecução à restrição ou liberdade do espaço/tempo. As articulações obedecem basicamente a quatro tipos:

Consecução restrita + tempo/espaço livre

A leitura de um texto em prosa ou de um poema depende da linearidade do significante (ordem fixa). Portanto, o tempo/espaço é restrito, mas a consecução é livre, pois a apreensão dos significantes está condicionada ao modo pelo qual se lê: “[...] un texte se lit en principe d’un mot au suivant, mais on peut prendre une pause entre deux mots, on peut revenir en arrière, devancer, etc.” (HÉBERT, 2011, s/ p.) . Veja-se que não somente a semiótica verbal pode se comportar assim, mas a fala também, de acordo com a forma que o falante desenvolve a sua linha de prosódia. A leitura de um poema também demanda um tipo de consecução restrita (obedece à linearidade do significante, mesmo que o tempo/espaço seja +/- restrito), obedecendo à necessidade das equivalências da expressão (ritmo, rimas, etc.). Essa consecução +/- restrita também pode ser observada nas formas poéticas fixas, como é o caso dos sonetos e das marcações silábicas, sobretudo nos versos binários e ternários, ascendentes e descentes (PIGNATARI, 2005, p. 22-24).

Consecução restrita + tempo/espaço restrito

As semióticas do tipo audiovisual (cinema, clipe, documentário, telejornalismo) ou sonoro (música) possuem um tipo de consecução determinado pelo suporte por meio do qual se manifestam: “la projection d’un film en salle n’est pas en principe interrompue, ralentie, accélérée, inversée, etc.” (HÉBERT, 2011, s/ p.). Mesmo que o audiovisual seja projetado em outros dispositivos (DVD, tevê aberta), quando não se considera a intervenção humana (com pauses, rewinds, etc.), a consecução e o tempo/espaço são sempre restritos.


Uma pintura, um desenho, uma escultura, uma fotografia, uma charge demandam um tipo de consecução livre, assim como tempo/espaço livre, uma vez que se pode ir de um detalhe a outro dessas representações visuais sem a necessidade de uma ordem restrita, portanto. Diferentemente de unidades grafemáticas, que dependem de uma sintagmatização fixa, uma imagem tende a condensar seus elementos no espaço representado, assim como uma pretensa captação simultânea de elementos denotados (em uma fotografia, por exemplo) ou conotados (no caso de uma charge). No caso do HQ (gibi), é possível tanto seguir uma consecução restrita, quanto percorrer os quadrinhos livremente, pois as imagens seriadas não possuem uma articulação de mesma complexidade que a de um texto, que obedece a uma linearidade restrita de significantes para produzir sentido.


Uma peça de teatro possui a consecução baseada na performance do elenco (livre, pois os pontos no espaço alternam-se nos diferentes contextos de realização da encenação), mas o andar da peça depende de tempo restrito, pois os momentos marcantes dos atos e suas transformações narrativas em geral dependem da sincronia dos personagens com a equipe de produção. A dança também poderá seguir uma sintagmática livre (como em uma discoteca, em que cada qual faz seu passo), mas o tempo/espaço é marcado ritmicamente, conforme as batidas da música.

Essas formas sintagmáticas (livres ou restritas) de conceber as unidades significantes das diferentes semióticas, segundo Hébert, podem auxiliar a responder inúmeras dificuldades em se analisar os diferentes sincretismos próprios das diferentes manifestações semióticas. Na organização das unidades fílmicas (no audiovisual, por exemplo), há dois tipos de ritmo de leitura implicados na manifestação: um aliado ao fotograma, cuja estaticidade de alguns enquadramentos mais lentos permite lê-los como imagens quase que decompostas (quase que estáticas), a tempo de identificar até mesmo seus formantes (consecução +/- livre); e outro, aliado à mobilidade (à ilusão de movimento, de iconização do fluxo temporal, segundo consecução restrita), que vai desde a combinação de gestos e pequenas ações dos personagens, até às performances de perseguição típicas de Hollywood, com respeito às quais nem sequer é possível que o espectador as acompanhe sem a necessidade de recursos (deturpadores da expressão?), como pause, quadro a quadro, etc., ou até mesmo rever o filme

Referências
FLOCH, J.-M. Petites mythologies de l’oeil et de l’esprit. Paris: Hadès-Benjamins, 1985.
______. Sémiotique, marketing et communication – sous les signes, les strategies. Paris: Presses Universitaires de France, 1990.
GREIMAS, A. J. & COURTÉS, J. Dicionário de semiótica. Tradução Alceu Dias Lima et alii. São Paulo: Cultrix, 1979.
______. Dictionnaire raisonné de la théorie du langage II. Compléments, débats, propositions. Paris: Hachette, 1986.
HÉBERT, L. Petite sémiotique du rythme. Éléments de rythmologie, Signo. Québec: Rimousk, 2011. Disponível em: http://www.signosemio.com/semiotique-du-rythme.asp.
PIGNATARI, D. O que é comunicação poética. 8.ed. Cotia (SP): Ateliê Editorial, 2005.
SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 2006.